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        Ano II, Edição III, março 2013

O Rio de Janeiro experimenta na atualidade um momento significativo de oportunidades de desenvolvimento. Impulsionado por grandes eventos internacionais que sediará, e pela economia do petróleo e gás, tem se destacado na atração de investimentos em relação aos demais estados e municípios do país e até mesmo de tradicionais polos internacionais.

Tais iniciativas são bem-vindas, uma vez que aportam elevados recursos que podem fazer com que se promova um efetivo desenvolvimento, e se recupere uma posição de destaque na economia nacional e no imaginário social, inclusive no âmbito internacional.

No entanto, há que se considerar o modo como esses projetos estão sendo negociados e implementados. Os impactos ambientais da atividade extrativa é considerável, bem como a ocupação de áreas para apoiar essa indústria e seus processos derivados.

Já o investimento em turismo e grandes eventos requer que as mudanças na ocupação do espaço urbano respeite as populações e as inclua nas melhorias decorrentes.

Temos o entendimento de que a agenda deve priorizar um efetivo desenvolvimento (econômico, social, ambiental) e não apenas mais um crescimento excludente que serve apenas para favorecer a iniciativa privada que passa a ocupar os espaços urbanos. Afinal, trata-se de investimentos com recursos que são públicos e que se realizam em espaços predominantemente públicos. Logo, o legado tem que incluir o benefício para a sociedade.

Assim, esta edição de
Plurimus Cultura e Desenvolvimento em Revista
tem como tema central o Rio de Janeiro. Nossa intenção foi trazer algumas relfexões de autores que possibilitem algum tipo de debate, sem a pretensão de apontar caminhos, uma vez que o espaço e o alcance de sua repercussão, embora por meio eletrônico, não substitui a mobilização política efetiva na sociedade civil.  A edição é complementada por um espaço para tema livre, articulado com o nosso recorte editorial.

Resumidamente, contamos com as seguintes contribuições:

Celso Evaristo Silva, com
O Rio sempre deu samba,
navega na inspiração que nossa cidade causa aos seus poetas e artistas. Mas não se propõe a fazer nenhuma história do samba nem dos sambistas, o que, para o autor, ultrapassaria as raias da pretensão e resvalaria para a loucura. Segundo Celso, o Rio de Janeiro tem o dom do cosmopolitismo. Para ele, mais do que conviver com  as diferenças, aqui, mantemos uma relação simbiótica, intrínseca e vital com o diverso. O autor argumenta que escrever sobre o Rio é cometer o delito de descrevê-lo arbitrariamente; ser inverídico sem ser falso; lembrar de algo para ser cobrado pelo não dito.

Em
Rio cidade criativa: economia criativa e ambientes para o desenvolvimento, Julia Bloomfield Gama Zardo e
Ruth Espínola Soriano de Mello destacam a percepção crescente da existência e valorização de iniciativas de promoção de ambientes que concentram fatores de estímulo à inovação produtiva, cooperativa e criativa. Apresentam o contexto atual do Rio de Janeiro e a economia criativa, como uma contribuição para a análise dos processos de desenvolvimento de regiões e comunidades, com foco nas redes, na cooperação, no capital social e na valorização dos aspectos culturais locais.

Oportunidades e desafios para a logística e infraestrutura viária no Estado do Rio de Janeiro
é o tema de Delmo Manoel Pinho e Eduardo Duprat F. Mello. No artigo, os autores chamam atenção para as oportunidades de investimentos que se abrem no país para projetos na infraestrutura de logística e transportes, e sobre os desafios para a sua viabilização.  O destaque do tema para o Rio de Janeiro se justifica adicionalmente pela agenda de mega investimentos nos próximos anos, capitaneados pelo setor de óleo e gás, além dos eventos esportivos de alcance internacional.

Concluindo o debate desta parte sobre o Rio de Janeiro, Simone Amorim aborda
Participação e democracia: reflexões sobre a experiência recente das Políticas de Cultura no Estado do Rio de Janeiro
. O artigo apresenta uma reflexão sobre a implementação do Sistema Estadual de Cultura do Rio de Janeiro, enfatizando aspectos da institucionalização da participação da sociedade civil em instrumentos de gestão e planejamento do desenvolvimento da cultura no estado e a contribuição desse processo para o rompimento da trajetória de autoritarismos e descontinuidade de políticas, estratégias e ações.

Na parte de temas gerais,
Mídia, poder e sujeito-escritor
é o tema de Isa Ferreira Martins, que aborda os desdobramentos da mídia, em especial a televisão na formação do Sujeito-Escritor. Isa destaca que o esvaziamento discursivo leva à ausência quase total da reflexão crítica e tem como pano de fundo a perpetuação de interesses hegemônicos. E isso ajuda a definir que tipo de cidadão o país está formando. A autora indaga que se as pessoas ligam a TV para não ficarem por fora do que está acontecendo no mundo, ”como explicar que a mesma seja não só alienadora de muitos, mas que contribua para a dificuldade com a qual sujeitos se deparam na hora de escrever um texto reflexivo?

George de Souza Alves apresenta o artigo
O fetiche
tecnológico e as relações entre o ciberespaço e a globalização, em que explora as contradições entre o avanço da ciência e da tecnologia e o aumento da destruição da natureza, fome e miséria em diversas regiões do planeta, alertando que ciência e tecnologia são uma construção histórica e social e não um avanço contínuo e inexorável que segue seu próprio caminho. O autor discute a importância dos conceitos de alienação e fetiche da mercadoria na obra de Karl Marx, através da metáfora possibilitada por Matrix, o filme, e refletimos sobre as relações entre C&T e sociedade e seus desdobramentos para a produção do fetiche tecnológico.

Finalizando esta edição, no artigo
Pacto Global: sustentabilidade de mercado ou nova hegemonia?
,  apresentado no VIII Congresso Mundial de aAdministração e XXII Encontro Brasileiro de Administração, realizados no Rio de Janeiro em 2012, Daniel Roedel propõe uma refletir sobre o alcance da governança para a criação de uma sociedade sustentável, conforme recomendações do Pacto Global. O autor entende que a intensificação da sociedade de mercado cria restrições para uma conduta efetivamente sustentável por parte de governos e da iniciativa privada, os quais priorizam os resultados econômico-financeiros, a despeito de uma retórica em favor do desenvolvimento sustentável. Uma mudança requer outra construção política para que a sustentabilidade possa se tornar de fato hegemônica.

Plurimus Cultura e Desenvolvimento em Revista
é uma publicação independente e decorre do esforço de professores e pesquisadores que se propõem a abrir um espaço de reflexão e debate acerca de temas que contribuam para um outro olhar da realidade e para a construção de um outro mundo. Nossas edições estão disponíveis gratuitamente mediante cadastro no nosso site. Dela podem participar todos os interessados em se apresentar para esse processo plural. A próxima edição terá como tema central a Cultura, sempre dentro do nosso recorte editorial.

Boa leitura!

Os Editores


Expediente

Editor - Daniel Roedel

Revisão - Daniel Roedel

Produção - Plurimus Educação e Cultura

ISSN 2238-1953



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